Como se muda uma Humanidade?

Abril 26, 2011

Não adianta focar nos psicopatas que quebram lâmpadas na cabeça das pessoas, arrumam brigas a troco de nada ou de algo pior do que nada, matam pessoas porque estavam correndo com seus carros, enganam pobres, destróem florestas, abusam de autoridade, criam ditaduras. Não são os fascistas, os skinheads, os atiradores de colégios e os políticos corruptos que devemos trabalhar. Esses já não parecem ter alguma solução. Esses são como o exército de Hitler, infelizmente a única solução para eles talvez seja prisão ou morte, eles não dialogam, eles só agridem, não existe chance de convencê-los, de mudá-los.

Por isso, devemos trabalhar a grande maioria da população, que pode não ser como eles, mas fica conivente com suas atitudes, e faz outras atitudes, de menor grau, que acabam apoiando isso. São as pessoas que têm um mínimo de sentimento, que podem ser sensibilizadas por boas causas, mas desde que sintam segurança e desde que seja feito um bom marketing das boas causas, porque essas pessoas, essa maioria, são covardes e interesseiras, além de facilmente manipuláveis. Se tiverem que se juntar com o que existe de pior no mundo, o farão. Hitler não faria nada sozinho, precisou do apoio de milhões. A ditadura militar não foi um golpe de meia dúzia de militares, mas um golpe apoiado por vários setores da imprensa, da política, e da sociedade, até que se voltou contra esses mesmos setores, em um “golpe dentro do golpe”. E políticos preconceituosos como Jair Bolsonaro só estão eleitos porque existem muitas pessoas que compartilham suas idéias, ou simplesmente votaram nele sem saber de nada que acontece.

Aliás, é fácil para o brasileiro falar que são todos iguais, são todos corruptos, enquanto existe uma meia dúzia de políticos tentando fazer coisas boas, e se sacrificando por isso. Tudo funcionaria muito melhor se as pessoas fizessem um pequeno esforço para tentar dinstinguir os bons políticos dos maus, e dos meia-boca. Porque na política acontece igual na sociedade: existe uma minoria muito ruim, capaz de qualquer coisa para atingir seus interesses egoístas e estúpidos, e de outro lado, uma minoria que tenta fazer algo de bom, e uma grande maioria que está no meio-termo. Se essa maioria pende para o lado ruim, tudo que existe de pior acontecerá, e se ela pender para o lado bom, esse lado se fortalece e pode trabalhar por boas causas.

Não quero fazer maniqueísmo aqui, de “bem e mal”. Bem e mal são coisas complexas, é possível que um serial killer ou mesmo Hitler tivesse, no meio de toda sua loucura, uma intenção boa. Mas é fato que existem, de um lado, pessoas violentas, autoritárias, egoístas, corruptas, assassinas; e de outro, pessoas que lutam pelo meio-ambiente, pelos direitos humanos, etc. Não que as pessoas sejam assim o tempo todo. Uma pessoa bem-intencionada comete seus deslizes, todos temos nossas ignorâncias, nossos egoísmos, nossos maus instintos. Mas precisamos separar o joio do trigo.

Se tudo que eu falei estiver certo, quem ler esse post estará nesse meio-termo. Então, talvez seja hora de começarem a fazer um mínimo de esforço. E se você se considera como parte dessa minoria que luta pelas “boas causas”, certifique-se de que essas causas são realmente boas, e pare de dar murro em ponta de faca. Convença, esclareça, busque apoio. Meia-duzia de heróis não consegue mudar o mundo, é preciso ter boas estratégias e ter o apoio das massas. É preciso criar ondas, e hoje isso é cada vez mais fácil com a internet, com o marketing viral, etc. Porque a partir do momento que você cria um pequeno apoio, ele vai se espalhando, e quando se torna maioria, aqueles que ainda estavam coniventes com as coisas ruins no mundo vão querer ficar do lado “do bem”, porque é o lado mais forte agora. Se você for eleito como deputado, e tentar mudar tudo sozinho, pode acabar morto, preso, pode ter sua vida destruída, mentiras criadas sobre você e até sua família pode ser prejudicada. Mas se você for parte de uma maioria, quem terá que se esconder são os corruptos, os maus, etc. (mas eu devo lembrar, mais uma vez, que devemos tomar muito cuidado com qualquer maniqueísmo, qualquer julgamento simplista como “bons e maus” – estou usando esse tipo de julgamento só para facilitar o texto).

Os bons líderes são essas pessoas que conseguem unir multidões em torno de boas causas. Imagine se a cada briga que você vê numa porta de balada uma multidão se colocasse no meio e impedisse os agressores? Imagine se cada vez que alguém passa ameaçando todo mundo com seu carro essa pessoa fosse parada no farol por vários carros e impedida de prosseguir? Aí certamente muitos desses iriam parar para pensar. Alguns, como eu disse no começo, são caso perdido, e mesmo assim talvez não mudassem, mas ficariam impotentes para causar todo mal que causam hoje em dia sem obstáculo algum.

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