Política no Brasil, guerras no Oriente Médio, meio-ambiente: Quando as coisas vão mudar (para melhor)?

Março 28, 2010

Apesar de todo o alarde, os problemas mais graves do Brasil e do mundo continuam existindo. Parece que nunca chegamos ao fundo do poço, ou sempre cavamos mais, para tornar o poço mais fundo.
Com todos os escândalos de corrupção e a indignação da sociedade, os políticos continuam gastando muito dinheiro, continuam sendo protegidos das leis para continuarem concorrendo, e o pior, continuam se elegendo.
Essa semana foi divulgada uma matéria na UOL apontando que a Presidência da República Federal está gastando 3 milhões para comprar novos móveis. No ano passado, a reforma eleitoral tornou novamente elegíveis candidatos que tiveram suas contas de campanhas rejeitadas pelo TRE. E pior do que isso, as doações ocultas para as campanhas foram praticamente oficializadas.

E a polarização quase infantil da sociedade entre PT e PSDB, entre o que alguns acreditam ser algum tipo de socialismo e o que outros consideram ser um neo-liberalismo, mas na verdade são dois modelos de social-democracia bem parecidos, também permanece. Isso mostra que o país ainda não acordou de verdade para questões urgentes, como o meio-ambiente e a educação, e quer, no máximo, desenvolvimento econômico e fim da pobreza. É um avanço, porque antes nem isso. Mas nem isso teremos no futuro, se não partirmos para mais mudanças, porque a educação, o meio-ambiente, e outras novas propostas de governo de que precisamos, possibilitam muito mais desenvolvimento e igualdade social. Sem falar nos gastos públicos elevados e ineficientes, um tema que está na cabeça das pessoas cada vez mais, mas na prática as coisas não estão mudando muito. As campanhas políticas continuam falando sobre obras, pontes, viadutos, bem ao estilo Paulo Maluf, ainda que esteja cada vez mais claro que isso não é o que precisamos. E muitas vezes, isso é o que causa os problemas (cimentar a cidade de São Paulo inteira, além de deixá-la visualmente monótona, feia, cinza, é um dos motivos de tantas enchentes, por exemplo).
Mas, pelo que vemos nos debates políticos na internet, nos comentários de internautas sobre reportagens, e no clima geral da sociedade, inclusive de grande parte da imprensa,as pessoas preferem tratar política como futebol: se apegam a um grupo, ficam com raiva de outro, e pronto. O pior é que mais do que tratarem política com paixão, estão tratando com ódio. Como o torcedor que prefere o time rival perder do que seu time ganhar. Eu ficava triste ao ver que o brasileiro leva muito a sério o futebol, e não ligava para coisas importantes na nossa vida, como a política. Mas agora fico mais triste ao ver que, quando ele liga para política, ele usa a mesma mentalidade irracional, movida a sentimentos fúteis e negativos, que usa para lidar com o futebol. E falando em futebol, as brigas de torcida, as confusões, a indignação da imprensa e da sociedade com má gestão, erros, tudo isso também continua.

Mas não é só o Brasil que faz todo esforço para não resolver seus problemas. Ao redor do mundo, Israel continua achando que pode ameaçar, culpar os outros pelas suas próprias ações, e criticar todos aqueles que hesitam em dá-la apoio incondicional, inclusive as grandes potências. O Irã continua naquela postura que ninguém entende realmente, um misto de ameaça, mistério e algumas declarações de que seus fins são pacíficos. O Iraque continua a se acostumar com atentados a bombas e com uma democracia que não funciona. Mas como disse Sérgio Vieira de Mello, não se conquista democracia com exércitos. Falando nele, cabe lembrar que esse excelente diplomata brasileiro foi um dos encarregados de governar o Iraque depois da ocupação americana, e foi morto em um atentado muito estranho. A própria ONU fez um filme onde insinua e demonstra provas e motivos para acreditarmos que esse atentado poderia ter sido arquitetado por forças do governo Bush e de outros aliados. Assim como Israel bombardeou escolas da ONU, entre outros absurdos cometidos por essa aliança “anti-terror” na primeira década do século 21. Casos para o mundo inteiro se indignar. E muitas pessoas realmente se indignaram. Saíram às ruas, protestaram. Mas ao invés de crescer o anti-guerra, a busca pelo fortalecimento da diplomacia e da ONU, ou coisas semelhantes, isso tudo foi esquecido em pouco tempo, e o que ficou e cresceu mais foi apenas o ódio. De um lado, anti-americanismo, raiva de Israel, etc. E de outro, mais bombardeio e “guerra ao terror”. Em visita recente aos EUA, vi muita gente apoiar a guerra, criticar os árabes, demonstrar um racismo deprimente, e culpar qualquer um, menos os próprios americanos, por toda essa confusão.
E o meio-ambiente? Algumas mudanças podem estar acontecendo, mas as tragédias parecem estar acontecendo mais rápido do que essas mudanças.

A mesma coisa com o mercado financeiro. Todos pediram novas regulações, novas instituições. Mas o que aconteceu na prática? Os governos deram dinheiro para os bancos (e em alguns casos sem a população saber disso, como aconteceu na Inglaterra), e o mercado continua sendo um jogo de poker. George Soros disse recentemente, em matéria publicada pela Folha, que uma nova crise pode acontecer, porque ainda não há regulação internacional, e parece que será difícil ela acontecer nos próximos anos.

O que mudou? Estão acontecendo mais terremotos, mais enchentes, mais desastres naturais. E de outro lado, apesar de tudo que falei, parece que algumas coisas estão ameaçando mudar. O governo Obama, por exemplo, por mais que pareça estar dando continuidade a algumas políticas do governo Bush, e por mais que esteja sendo criticado duramente por muitos, fez avanços em várias questões. A população mundial parece ficar mais consciente das coisas. Mas não adianta ficar consciente. Se não mudarmos de atitude rápido, nada vai adiantar ficar pensando no que poderíamos ter feito para impedir o caos que está se generalizando pelo planeta. Os problemas estão cada vez mais claros e visíveis para todos nós. Hora de acordar!

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