Os atentados de 11 de setembro: o que mudou desde lá? E o que podemos aprender com esses 8 anos?

Setembro 11, 2009

Hoje completam-se 8 anos dos atentados de 11 de setembro, nos EUA. Esse evento foi um divisor de águas para o mundo.

Na UOL, vi hoje uma reportagem com dois brasileiros que perderam filhos nesses atentados. Um deles é um médico, que faz um depoimento muito interessante. Ele diz que pensava que a neurose dos americanos por segurança nunca permitiria que algo do tipo acontecesse. Mas aconteceu (assim como a neurose dos conservadores brasileiros permite que aconteça uma guerra civil no nosso país, e até alimenta essa guerra).

Esse médico fala também algo muito interessante: pensava que aquilo seria o fundo do poço, e que a partir desse acontecimento, haveria uma reação mundial por mudanças, para a busca da paz. Mas o que houve foi uma banalização da violência.

Ou seja, realmente houve uma reação mundial, mas totalmente negativa. O grupo de George Bush e seu vice, Dick Cheney, que qualquer um minimamente informado (o que não é o caso de grande parte dos americanos e dos brasileiros, mesmo havendo informação disponível) sabe que é uma verdadeira gangue, com negócios ligados ao petróleo, indústria de armas, e uma sociedade secreta poderosíssima e pra lá de sinistra, a Skull and Bones (pelo nome, que significa “caveiras e ossos”, já dá para ter uma noção), se aproveitou para fazer guerra no Oriente Médio e, a partir dessa guerra, fazer negócios também.

Quem ainda defende a entrada no Iraque e no Afeganistão, e quem ainda não assume que isso tinha a ver com negócios, como o petróleo, e a própria reconstrução do Iraque (coincidentemente, a empresa que reconstruiu o Iraque era desse grupinho de Bush e Dick Cheney), só pode ser louco. Os próprios americanos conservadores assumem isso. Um amigo de David Letterman foi a seu programa, e discutiram sobre isso. Ele disse que sabia que tinha a ver com petróleo, mas achava isso perfeitamente aceitável. Ainda disse “Você acha que isso é pouco? ” Ou seja, assumiu que ele e grande parte de seu país não tem valores que possamos chamar de civilizados, já que aceitam matar centenas de milhares de pessoas por causa de dinheiro.

O começo do século e do milênio assistiu a outras tragédias sem precedentes. O Tsunami de 2004, as guerras de Israel que destruíram até escolas e prédios da ONU, e, recentemente, tragédias naturais em todos cantos do planeta: ondas de calor, tempestades, furacões, etc.

O mundo começava a ver cada vez mais uma necessidade de mudança, que foi muito impulsionada pelos problemas ambientais, os quais também começaram a causar uma comoção maior, devido ao filme de Al Gore sobre o aquecimento global e ao relatório de uma comissão internacional de cientistas, o IPCC, afirmando que o aquecimento é causado pelo ser humano e que deve ser freado.

Antes do ano 2000 esse sentimento de apocalipse, de que tudo vai acabar, de que eventos de grande destruição vão acontecer, já existia. Filmes sobre o fim do mundo, ou sobre tragédias monstruosas que chegam perto de causar esse fim, são comuns (e provavelmente seriam mais comuns ainda se não fosse um tipo de filme muito caro, cheio de efeitos especiais, e tal). Pode-se dizer que a Humanidade tem até uma certa excitação por essas coisas. No fundo, talvez pouca gente realmente queira evitar grandes catástrofes, e algumas até desejem isso.

O novo milênio e o novo século foram recheados, até agora, de catástrofes naturais, e outras não tão naturais assim. Em todos cantos do planeta. Na verdade, nenhuma delas foi puramente naturais: mesmo que os terremotos, tempestades, furacões e tsunamis não tenham a ver com os desequilíbrios ambientais que causamos, nós somos culpados por construir cidades verticalizadas e asfaltadas, que fazem esses desastres naturais serem verdadeiros desastres, matando centenas de milhares de pessoas. Quando ocorreu o Tsunami em 2004, vi um artigo onde se comentava um diálogo famoso entre Voltaire e algum outro ilustre da sua época (século 18, mais ou menos). Um deles se perguntava porque Deus teria feito algo tão terrível, após um terremoto que matou muita gente na Itália (se não me engano). O outro respondeu que se a cidade atingida não tivesse sido configurada pelo ser humano da maneira como foi (com muitos prédios, inclusive), não haveria toda essa catástrofe. E o tsunami foi igual: se houvesse alerta antes, como existe em países mais desenvolvidos, e se não houvesse tanta gente morando perto do mar, em um local perigoso, sujeito a maremotos como aqueles, não haveria tanta tragédia. O furacão Katrina só foi uma tragédia porque o governo não soube agir corretamente na emergência. Aliás, a maioria dos mortos era pobre.

Aliás, existe uma propaganda polêmica da WWF que compara esse tsunami com os atentados de 11 de setembro, mostrando que as catástrofes naturais podem ser muito mais perigosas do que o terrorismo.

No Brasil, as coisas não tem sido diferentes: só ver a primeira página dos jornais e portais da internet: ônibus incinerado no Nordeste, tempestades no Sul e Sudeste. Só nessa semana! Em 2006, atentados do PCC, e uma resposta violenta da polícia paulista (parecida com a dos americanos no Oriente Médio, ou dos israelenses, matando mais gente do que os “terroristas”, e muitos inocentes no meio- a polícia declarou que eram todos “suspeitos”, mas as organizações de direitos humanos, e até o Conselho Regional de Medicina, quiseram recontar os mortos e investigar a situação). Depois disso, outros atentados, pelo país inteiro, aconteceram. Além de catástrofes naturais no ano passado. E os escândalos políticos, que estão cada vez mais banalizados. Quando acontece algum deles, parece que tudo vai mudar, mas depois de um tempo todo mundo esquece. Sem falar também na guerra civil a que já estamos acostumados, que mata mais gente do que a Guerra do Iraque, e que existia muito antes desses atentados do crime organizado (incluindo o Estado, a maior rede de crime organizado do nosso país).

Em 2008, veio a crise econômica. Quando se mexe no bolso das pessoas, aí é difícil se acomodarem. O mundo começou a desenvolver esse sentimento de mudança, que já estava sendo impulsionado pelos problemas ambientais, por essas catástrofes naturais (que muitos, como eu, sabem que não são tão naturais assim), e também pelo filme de Al Gore sobre o aquecimento global, seguido de um relatório de uma comissão internacional de cientistas afirmando a existência do aquecimento global, a culpa da Humanidade por ele, e o perigo que ele causa.

Enfim, mesmo com a crise, que impacta diretamente e rapidamente a vida das pessoas, e que faz até os mais egoístas e alienados se preocuparem, a onda de mudança parece ser apenas conversinha. O pior é que às vezes, como falou muito bem o médico que teve o filho assassinado no 11 de setembro, as mudanças são para pior. Parece que não é só o Brasil que está acostumado a se comover um pouco, depois esquecer de tudo e se acomodar. Ou a tentar resolver as coisas causando mais problemas, como a repressão policial e militar que muitos defendem, e a supressão de direitos individuais que o governo Bush implantou. Quando alguém diz que defensores dos direitos humanos, críticos da Guerra do Iraque, ou da violência policial, não sentiram na pele a violência, eu mostro o exemplo desse médico. Se todo mundo fosse como ele, percebendo que vingança é só uma manutenção dos erros milenares que a Humanidade tem cometido, o mundo seria bem melhor…

Diga-se de passagem, há suspeitas de que os atentados sejam até uma conspiração para justificar a guerra do Iraque (não é só papo do Michael Moore), e a própria ONU fez um documentário mostrando como a morte de um alto diplomata, que inclusive é brasileiro, um dos maiores solucionadores de conflito do mundo, e um verdadeiro promotor de democracias, teria sido morto com, no mínimo, a conivência do governo dos EUA.

E agora, o que vamos fazer? Vamos realmente mudar? A ética e sustentabilidade de que as empresas tanto falam agora vai ser só mais uma forma de fazer marketing, ou vai vingar? Os direitos humanos serão esquecidos, até acontecer algo como a Segunda Guerra Mundial novamente? Ou algo pior?

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