Internet, segurança e democracia

Julho 27, 2009

A internet é uma ferramenta poderosa para a democracia. Se não fosse, nem existiriam blogs como esse.

Com a internet, não são mais as grandes corporações da mídia que podem divulgar informação e formar opiniões. Além disso, é difícil para os governos controlarem as ideias e informações que circulam na web.

Mas esse controle não está longe de acontecer. A desculpa da segurança pública sempre existe, para controlar tudo, e aparece também para controlar a internet. O governo Bush foi um mestre nessa tática de utilizar a política do medo, a desculpa do terrorismo, para infringir as liberdades democráticas em um país que é o maior propagandista delas.

Se você fala inglês, veja esse protesto coletivo sobre isso:

Aqui, uma das mensagens de protesto do vídeo acima, a de Henry Rollins, apresentador, vocalista, e outras coisas:

Estes vídeos são de alertas contra ameaças do governo americano de regular a internet em nome da guerra ao terrorismo. Essa questão também aparece no Brasil, onde o senador Eduardo Azeredo tem um projeto de regulação que foi criticado por muitos, pelo mesmo motivo: acabar com a maravilhosa liberdade que temos na internet.

É um pouco complicado aliar liberdade com segurança, mas sabemos que os governos usam muito a desculpa da segurança pública para acabar com nossas liberdades e dominar nossas vidas. E também para esconder os crimes e falcatruas que eles mesmos fazem: o governo federal do Brasil, por exemplo, não quer divulgar seus gastos com cartões corporativos com essa desculpa da segurança pública.

Mas ainda não conseguiram acabar com o poder de democratização da internet. E se o usarmos bem, nunca conseguirão. Ou seja, se mantivermos um controle constante das atividades dos governantes, poderemos garantir que qualquer ameaça a essa liberdade não seja realizada. Por isso é importante haverem alarmes como esse feito por Henry Rollins. O poder de crítica e democracia da internet defendendo a si mesmo.

No Irã e na China as coisas são mais complicadas. Mas nem por lá os governos estão conseguindo controlar tanto a população. Segundo reportagem do UOL, eles bem que estão tentando. Estão desenvolvendo softwares de controle, e a guerra da informação na internet está a todo vapor naquele país.

Aqui, vimos recentemente o movimento “Fora Sarney”, onde o Twitter foi muito utilizado. O sucesso do movimento é relativo, porque Sarney ainda é presidente do Senado (mas acho que isso não vai durar muito, porque ele está perdendo todo o apoio que tinha entre os políticos).

Eu já comentei a importância da circulação livre de informação em outro post, e todos sabem bem disso. Cientistas políticos usam, inclusive, a liberdade de informação como um dos indicadores do grau de democracia em um país, de tão importantes que são.

Chamo atenção para outro problema, aproveitando a ocasião: países como os EUA e mesmo o Brasil precisam aprofundar suas próprias democracias, para terem poder e vontade de ajudar as democracias alheias. O Brasil, como eu comentei em um post recente, está fazendo vista grossa para a Coréia do Norte, para que a comunidade internacional e o Conselho de Direitos Humanos da ONU não interfiram nos atentados contra os direitos humanos que nós mesmos realizamos. E os EUA, depois das eleições duvidosas de Bush, e dos atentados contra as liberdades individuais que sempre estiveram entre as coisas mais valorizadas daquele país, também não possuem muita moral para impor democracia em outros países. E além de corrigir esses retrocessos, podemos, tanto nós quanto eles e todos outros países do mundo, avançar muito mais em termos de democracia. A internet, além de ferramenta de contestação, pode ser uma poderosa ferramenta de organização das vontades coletivas, projetos sociais, políticas públicas, etc. A chamada democracia direta. Do povo para o povo, como o povo quer.

Outro problema, falando em colaborar para a democracia em outros países, é que democracia não é algo que se impõe. É totalmente contraditório impor democracia a outros países, como os EUA dizem que estão fazendo nas suas intervenções militares, o tempo todo, não apenas no Iraque e no Afeganistão, mas no mundo inteiro. Achar que vamos criar uma democracia na base de bombardeios e morte de civis é tão ridículo como a frase do General Figueiredo, último presidente militar, ditador, do Brasil: “agora vai ter democracia, nem que seja na porrada” (a frase não foi isso exatamente, mas tinha esse sentido). Mas o que poderíamos esperar de um ditador militar, mesmo que seja no intuito de trazer a democracia?

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