O MUNDO FAVORECE DEMAIS O SOFRIMENTO

Julho 23, 2009

O sofrimento , a felicidade, os sentimentos em geral, e qualquer outra coisa, não são idênticos ao que suas representações procuram transmitir, representar. Uma coisa não é igual a palavra que a explica, nunca. Um problema na vida real nunca é igual ao que os filmes e outras obras de arte demonstram. A palavra felicidade não é tão “feliz” quanto a felicidade em si (eu sempre defendo que a liberdade só é mais desejada que a felicidade porque a palavra liberdade é muito mais bonita, e talvez assim seja em outras línguas também). Como diz Theodor Adorno, o positivismo acha que podemos representar as coisas com verossimilhança total, mas não podemos.
Adorno diz que a indústria cultural e a ciência positivista não deixam lugar para a crítica ao glorificarem o presente, representando as coisas com essa pretensa igualdade em relação ao que elas realmente são, como se fossem neutros. Uma conseqüência disso, eu creio, é a glamourização do sofrimento. Veja o sofrimento nos filmes, nas músicas: ele não lhe parece belo? Não dá até vontade de sofrer? Será que aquela vontade patética, e auto-destruidora, de sofrer, não é em parte causada por isso? Claro que a vontade de chamar atenção e de ver se alguém fica com pena, se alguém ajuda, e talvez o próprio vício, costume, pela tristeza, pelo sofrimento, podem contribuir também para isso, mas certamente, a industria cultural deixou o sofrimento muito mais bonito do que é.
Como também diz Adorno, e ligado a isso, a forma e o conteúdo não são indissociáveis. É por isso que meu livro se preocupa tanto com a divisão dos capítulos, com as palavras, expressões e frases exatas que uso (por exemplo, ao invés de controlar as emoções, eu prefiro dizer que devemos dirigir elas, pois controle parece algo repressivo) e tudo mais. E não só meu livro, como qualquer coisa na vida deve ser assim.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u352100.shtml

Patch Adams, o médico conhecido mundialmente por usar a alegria como forma de combater as doenças, também fala muito sobre essa “adoração do sofrimento”. Patch diz que em todos os setores, investimos muito mais no sofrimento do que na felicidade. A História fala só de guerras e traições; a mídia fala de guerras, tragédias, acidentes, ou pessoas que mataram a família. A indústria farmacêutica , os médicos e psicólogos, dependem do sofrimento e da doença para lucrarem. Só recentemente começou a se falar em psicologia positiva, que procura a felicidade, e não apenas o fim do sofrimento. E só recentemente começou a se falar em qualidade-de-vida e bem estar como finalidades da saúde, e não apenas em acabar com doenças.
A palavra patologia tem a ver com conhecimento. Acredita-se que o sofrimento traz sabedoria. Mas o que haveria para aprendermos, se não houvesse sofrimento? Além do mais, a felicidade não traz sabedoria também? Devemos aprender a ser felizes ou a simplesmente acabar com o sofrimento. Detalhe: se você conseguir aumentar sua felicidade, automaticamente vai estar deixando o sofrimento e a tristeza de lado. Ou seja, você não apenas melhora o que já está bom, mas também se livra dos problemas. Então, está mais do que na hora de acabar com toda essa cultura do sofrimento. Ninguém precisa sofrer!

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