A ditadura da pressa e do egoísmo

Julho 23, 2009

No trânsito, vemos que chegar 5 minutos antes no trabalho pode valer mais do que uma vida, para muitas pessoas. E nossa sociedade acha isso perfeitamente normal, porque não se manifesta em relação a isso. Acidentes no trânsito de vez em quando são considerados como um mal necessário, como algo perfeitamente normal. E quando existe mobilização para isso, é em relação ao álcool no volante, geralmente. Se esquecem que a velocidade é na verdade o maior causador de acidentes (e o que faz um acidente ser mais grave do que um arranhaozinho na porta do seu carrinho importado). Inclusive à luz do dia, com um carro guiado por uma pessoa perfeitamente sóbria, ou um motorista de ônibus que está totalmente sóbrio mas não dorme direito há dias e está completamente stressado. Se você está correndo, além de ter menos tempo para controlar o veículo e evitar um acidente, obviamente o acidente, se acontecer, será muito pior. Além disso, não é nem um pouco bom para a saúde todo o stress que passamos com o risco de acidentes iminente, com as buzinadas, xingamentos e brigas. Dizia o Dalai Lama: as pessoas perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem seu dinheiro para ter saúde.

E diziam os Beatles: “running everywhere at such a speed, till they find there’s no need”, que pode ser traduzido mais ou menos como “correndo para todo lado tão rapidamente, até perceberem que não tem necessidade.”

A pressa no trânsito é fruto da pressa na vida. A pressa para produzir, para aumentar o PIB. Já existem milhões de críticas especializadas a essa idéia de produzir, produzir, produzir, sem refletir direito sobre o que e como estamos produzindo, e já existem dezenas de indicadores para superar o PIB e detectar que tipo de desenvolvimento está acontecendo nos países na verdade.

Certa vez, estava eu no Xerox da minha faculdade, e havia uma grande confusao. O xerox ficava todo dia lotado, e ao lado dele, havia uma assembleia de estudantes para discutir os problemas da faculdade, inclusive o do xerox. A mim, e a vários outros alunos, cabiam duas alternativas: ficar na fila, pegar o xerox que precisava, e ir para a aula o menos atrasado possível, ou participar da assembleia para tentar resolver esse problema coletivo. A maioria das pessoas escolheu a segunda alternativa. O que isso mostra: primeiro, que as instituicoes, o sistema instituído, seja no trabalho, ou nas escolas, muitas vezes acaba nos obrigando a ser egoístas e imediatistas (obrigando não, mas contribuindo para isso). Em segundo, que as pessoas geralmente escolhem esse imediatismo, e empurram os problemas coletivos com a barriga, porque para cada um, no momento ali, não compensa resolver esses problemas.
É assim com o meio-ambiente. A maioria não quer gastar tempo e dinheiro com a sustentabilidade, até que isso cause benefícios imediatos para eles mesmos (como não serem multados, receberem incentivos do governo, melhorarem a imagem da empresa com o chamado marketing da sustentabilidade, etc.). Acontece o mesmo com as crises financeiras: os países, muitas vezes, escolhem o protecionismo. Ao invés de se unirem, se dividem, cada um tenta resolver o seu, de maneira imediatista. Felizmente, isso não aconteceu tanto quanto parecia que ia acontecer, nessa última crise, mas é uma tendência que acontece muito.

Semelhante coisa acontece em desastres naturais e outros acidentes: na India, um alarme falso de bomba fez muitas pessoas morrerem pisoteadas, porque o desespero para salvar a própria vida fez outras pessoas se despreocuparem com o fato de estarem pisando nelas. E experiências do passado mostram que o egoísmo, apesar de ser o instinto de muita gente nessas horas (não de todos!) , pode agravar muito esses acidentes.

Então, sugiro que respiremos fundo, e comecemos a resolver as coisas, tirar a sujeira debaixo do tapete, antes que seja tarde…

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