Movimento estudantil e ocupações de reitorias

Junho 5, 2009

Todos sabemos que o movimento estudantil é formado por diversas intenções. Junto com a vontade de melhorar o ensino no país, existe também a raiva dos governantes (o governador José Serra, por exemplo- em parte por culpa dele, que não sabe negociar, ceder, e fica agindo como uma criança mimada, como teria dito o ex-maestro da OSESP). E além disso, existe a vontade de ascensão política de alguns, a vontade de chamar atenção, de se mostrar um herói para aquela menina que também faz parte do movimento,  e em alguns casos, até uma síndrome de militar que quer conquistar o mundo.

Essa coisa de “mamãe, quero ser um herói”, de alguns líderes e seguidores desses movimentos ainda vai. É infantil, até egoísta, mas tem até um lado bem-intencionado.  Agora, essa síndrome de querer ocupar, conquistar, tomar o poder, isso já me soa bastante estranho.

As reivindicações deles, muitas vezes, são justas. Mas as estratégias, duvidosas. Por que essa coisa de fazer ocupações? Tudo bem, elas chamam atenção para a questão, fazem o movimento sair na imprensa, e o país inteiro é obrigado a perceber o que está acontecendo. O que por um lado é bom, porque gera debates sobre a educação, um problema central no país. Mesmo que alguns manifestantes só estejam querendo aparecer nos holofotes.

Mas será que esse é o caminho? Não é melhor fazer, como muitas vezes eles fazem, essas caminhadas até o Palácio do Governo, ou coisas do tipo? A ocupação pode ser considerada uma estratégia não-violenta, ou ela é uma atitude autoritária, de pessoas que não teriam recebido de suas mães um tabuleiro de War, quando crianças, e agora ficam querendo brincar de War, de ocupação, de tomada de território, na vida real? Como fazem os militares, os ditadores, e mesmo os presidentes democraticamente eleitos? 

Acho que falta criatividade ao movimento estudantil, e falta também um pouco mais de maturidade, de bom-humor, e muitas outras coisas tipicamente libertárias. Façam cartazes irônicos, pintem as ruas, ao invés de ficar ocupando. Uma vez, eu fui visitar a reitoria ocupada da USP, em 2007, se não me engano. E me surpreendi com o fato de que existiam pessoas pedindo documento, feito seguranças. Eles até estavam certos ao fazerem isso, porque estavam impedindo vandalismo dentro da reitoria (o que mancha a imagem do movimento e dá oportunidade para acusarem-no de violento, anti-demcrático, etc.). Mas deu para sentir que alguns desses caras estavam adorando o poder que tinham no momento. Eles não deveriam justamente estar contra o poder?

E se não querem manchar a imagem do movimento, será que a ocupação não é um erro? Não deu chance para a Veja e muitos outros criticarem, desqualificarem? É algo a se pensar… E agora, essa coisa de fazer ocupação entrou na moda. Até professores estão participando…

É algo a se pensar… Talvez, valha a pena, mas assim como tudo no movimento estudantil e em todos movimentos sociais, é melhor que se livrem da infantilidade, do desejo enrustido pelo poder, e de erros de estratégia.

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