REVOLUÇÃO SILENCIOSA E CULTURAL

Junho 2, 2009

Vinte anos depois de um tanque esmagar um jovem militante na Praça da Paz, jovens chineses não querem se envolver com política. Pensam que isso é perda de tempo, e que quem se envolve com política acaba se aliando com o governo, ao invés de contrariá-lo (veja na reportagem da UOL).

 O governo chinês já dinamitou a casa de pessoas que não respeitaram a política do filho único, como conta Amartya Sen em seu livro “Desenvolvimento como liberdade”. Já cobrou balas da família de pessoas que assassinou, bombardeou monges e tentou matar o Dalai Lama. Hoje em dia, parece que as coisas estão ameaçando melhorar, mas em 2008 houve muitos protestos em relação ao Tibet, e o governo não aceitou esses protestos de forma muito democrática. Inclusive, forçou pessoas a fazerem um contra-protesto, segundo demonstrou a imprensa internacional.

Não estamos na China ou em algum país governado por um ditador esquizofrênico, como a Coréia do Norte. Além do mais, mesmo se estivéssemos em algum desses lugares, deveríamos agir para mudar as coisas. Mas não adianta dar murro em ponta de faca. Para melhorar as coisas, temos que ser inteligentes. É preciso se estabelecer, vencer na vida, para ter mais força , e aí sim poder construir projetos que melhorem o mundo. Na China, é uma questão de sobrevivência, aqui, é uma questão de estratégia. Mas, no fim das contas, acaba sendo sobrevivência também. Porque precisamos desenvolver atividades que dêem dinheiro, ganha-pão. E também podemos ser prejudicados pessoalmente por atividades heróicas, revolucionárias, etc.

Sendo assim, não adianta se tornar mais um mártir. Algo que os terroristas também deveriam entender, se é que eles realmente querem melhorar o mundo. Os terroristas não percebem que seus inimigos também são terroristas, e dessa forma, os dois lados matam muitos civis inocentes em nome da segurança dos inocentes! Querem sensibilizar pessoas insensibilizáveis, assim como eles.

Voltando ao exemplo chinês, esses jovens não se dizem despreocupados com seu país. Apenas acham que enriquecendo, vencendo profissionalmente, podem contribuir para mudar seu país, através da educação, por exemplo. Uma revolução silenciosa. E essa idéia é algo que eu levo muito a sério.

Eles não são egoístas. E se você também não é, aí vai uma dica: fortaleça-se, depois faça projetos sólidos para melhorar o mundo. Isso não significa que não podemos fazer coisas boas agora, nem que podemos ganhar dinheiro a qualquer custo, mesmo que tenhamos que fazer muito mal ao mundo, e depois é só fazer um pouco de filantropia para melhorar sua imagem e está tudo bem. Significa apenas que temos que ser inteligentes. As pessoas bem-intencionadas muitas vezes se enfraquecem, se stressam demais, e acabam não conseguindo fazer muito pelo bem-comum. E aí o mundo acaba dominado por pessoas não tão bem-intencionadas assim…

Só um detalhe: lembremos que, por outro lado, nós, que vivemos em países com uma relativa liberdade de expressão, devemos aproveitar isso, para criticar o governo, os poderosos, e mesmo a própria sociedade, quando estão agindo erradamente. E para debater sobre as coisas .E mesmo quem vive em países com ditaduras devem aproveitar idas para o exterior, a Internet (quando não é controlada), e outros meios, para criticarem seus governos. A internet é uma ferramente maravilhosa para mobilizar a população mundial por um mundo melhor. Aliás, esse site tem isso como um de seus principais objetivos.

Portanto, não sugiro que as pessoas vivam suas vidas inteiras buscando o sucesso pessoal e o enriquecimento, para depois tentarem melhorar alguma coisa no mundo à sua volta. Porque, enquanto isso, enquanto trilhamos o caminho para o “sucesso” individual, podemos fazer coisas úteis para o mundo, sem arriscar nossas vidas, nossos empregos, etc. Até porque, se formos esperar 30 anos para fazer alguma coisa de bom, talvez seja tarde demais. Já existem muitos ricos e poderosos destruindo o mundo, para que a juventude de hoje fique de braços cruzados quanto a isso, esforçando-se apenas pelos seus interesses pessoais. Não seja um alienado de esquerda, daqueles que se sacrificam e se opõem ao “sistema”, ou simplesmente se isolam de toda sociedade para viver de formas alternativas, sem conseguir muito resultado. Mas pior que isso é ser um alienado de direita, daqueles que não se interessam por nada que não seja relacionado com sua segurança, lucro, ou mesmo bem-estar, mas no curtíssimo prazo (a direita tem mania de buscar soluções rápidas e fáceis para seus problemas, seja a criminalidade, a crise financeira, ou qualquer outra coisa – não pensa no coletivo, no grupo, nem no futuro, s

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