Almost 6 years ago, an article in Le Monde pointed out that identitarian movements from Right and Left-wing should be seen more as two faces of a coin than as completely distinct enemies. They share a vocabulary and they pursue the same goal, only towards two completely different groups (identitarian Right supports “white male” where identitarian Left supports immigrant muslim women, in France – in US it would be more related to Latinos and African-americans).

After Trump’s victory and the rise of a populist and usually radical Right very fond of identity politics throughout the globe, it is very comforting to see a political speech such as Joe Kennedy’s response to Trump’s first State of The Union. As Joe said, WE DO NOT HAVE TO CHOOSE BETWEEN A POOR WHITE WORKER AND A MEXICAN SINGLE MOTHER. We need to choose both! At times like this, we need voices of moderation. One of the main definitions of populism is the dividing of “us” and “them”. There is no “us”. There is no “them”. This is only in our minds. We are all different, of course. Different genders, different ethnicities, different ideologies. But we know where that sort of divide gets us. We saw it in WWII, we saw it during the Cold War, and many other times in different parts of the world. A speech might be only a speech, but it was timely.

 

 

 

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Eu sempre acho que para resolver problemas graves, é preciso construir pontes entre Esquerda, Direita, enfim, entre interesses e visões de mundo diferentes. Como dito em post anterior, ambas têm pautas plausíveis. Precisamos chegar a um consenso mínimo. Mas está difícil construir pontes nesse momento. Existe um vírus que parece corromper pessoas de todas classes sociais, o vírus da direita raivosa, revoltada contra a corrupção da política (mas não da polícia), contra a esquerda, e que acha que todo mundo que discorda deles é comunista e defensor de bandidos. O vírus do pensamento bolsonarista……
As pautas conservadoras são as piores possíveis na segurança pública. Eles impedem a discussão de coisas que poderiam melhorar muito nossa situação, como descriminalização das drogas. Impedem e xingam quem tentar simplesmente levantar o debate. Impedem também que se combata a corrupção policial, porque colocam a truculência policial contra bandidos no mesmo balaio que qualquer outro crime que a polícia comete, então acham que precisam defender incondicionalmente a polícia contra a esquerda, a Globo, o diabo, etc….. Enfim, essas são as propostas que eles bloqueiam. E inclua-se aí a unificação das polícias, que poderia diminuir gastos e abusos da parte dos militares.
E as propostas que eles fazem? Basicamente são 3: endurecer as leis penais, armar a população e deixar a truculência rolar solta, liberando os policiais para isso (legalmente ou “informalmente”, digamos). Vejamos….Endurecer leis penais num país em que mais de 90% dos crimes não são solucionados, boa parte sequer são investigados…. De que adianta???? Não seria melhor investir em INTELIGÊNCIA e investigação, para que esses crimes fossem de fato solucionados? Eu até concordo que existe muita facilidade para certos tipos de criminosos, é uma reclamação constante de policiais que eles prendem o sujeito e no dia seguinte está solto, mas não adianta aumentar a pena das pessoas, é preciso ver a questão dos recursos, de serem enquadrados em crimes que não dão cadeia, etc. E a questão de armar a população? Bom, sabemos que isso aí é uma pauta da indústria de armas, que financia diversos políticos e partidos aqui, que, coincidentemente, são defensores vigorosos do armamento. Mas, como disse um coronel recentemente no programa Pânico (da rádio), boa parte das armas que são compradas pelo famoso “cidadão de bem” acabam provavelmente sendo roubadas por criminosos. Ele também questiona se um cidadão comum conseguiria reagir a um assalto sem ser assassinado (e ter sua arma roubada, passando a circular no mundo do crime), considerando que os próprios policiais morrem frequentemente ao reagir a assaltos. Claro que nos comentários desse vídeo, esse coronel está sendo chamado de petista e comunista. Triste. Na mesma linha, aliás, um chefe de polícia do Rio criticava a produção de armas tão poderosas como fuzis em pleno século 21 (Notícias de uma Guerra Particular, um ótimo documentário). A quem interessa, além da indústria de armas, acabar com o desarmamento?
A terceira “proposta” dos conservadores é a truculência policial. Não se pode tratar bandidos com flores e poemas, afinal!  Eu não entrarei no mérito do nível de agressividade que temos que ter para cada bandido. O problema é que em um país com tão altos índices de corrupção policial, especialmente em locais como o próprio Rio de Janeiro, com tantos PMs fazendo parte de milícias, de crime organizado, promover a truculência policial é assinar um cheque em branco. É dar carta branca não apenas para policiais honestos, mas para os corruptos também saírem matando testemunhas de sua corrupção, por exemplo. E para os abusos policiais que são cometidos não apenas por corrupção, mas também porque o ser humano tende a cometer abusos quando tem alguma autoridade (como já demonstrava o famoso experimento de Milgram). Por mero sadismo, ou por estar num dia ruim (como dizia o Capitão Nascimento no filme), um policial pode esculachar pessoas que não merecem esculacho algum. Sem falar em outros motivos torpes, como o racismo, o preconceito contra o favelado, etc. Junte todas essas coisas e você tem um policial corrupto, que tem certeza de que aquele favelado é bandido só por ser favelado, então merece um esculacho (ainda que ele próprio seja bandido), e que, para piorar, está num dia ruim porque brigou com a mulher ou com seu sócio de corrupção ao fazer a partilha dos esquemas…..Aí o que acontece? Ele agride, atira, prende e mata injustamente. E o mais legal de tudo é que ele será defendido pela direita raivosa, aquela mesma que odeia quem defende bandidos….. Portanto, não adianta aumentar a força. É preciso calibrar a força, identificar quem é bandido e quem não é, inclusive e principalmente na própria Polícia e entre os funcionários de segurança em geral. Incluindo aí as Forças Armadas. Recentemente, oficiais da Marinha foram descobertos desviando armas para o crime. Os primeiros criminosos a combater são os que recebem um distintivo, armas, equipamentos, e salários de todos nós, por serem funcionários do governo, e utilizam todos esses recursos para cometer crimes de abuso e corrupção. Por mais que esses salários (e esses equipamentos) estejam muito abaixo do que eles deveriam receber.
O segredo, acredito eu, está em nos esforçarmos para separar o joio do trigo. A começar pela polícia. Não adianta considerar todos policiais como heróis ou vítimas de um sistema que os coloca na linha de frente com baixos salários. Até porque tem muito policial que vai para essa carreira porque gosta de poder mesmo, não é para combater crime. Mas também não adianta demonizar toda a polícia. Temos uma herança da ditadura, a esquerda odeia polícia. Mariele sabia ver muito além disso (e parece ser o caso de Freixo também). E a esquerda precisa aprender a ver além disso, a se unir com a polícia em pautas comuns, como salários melhores. Separar o joio do trigo também para criminosos – o ladrão de galinha ou aviaozinho não é igual o chefe do tráfico que comanda homicídios, esculacha pessoas diariamente, etc. Juntá-los, e pior que isso, juntar pessoas inocentes que foram para a cadeia por erros do nosso sistema, é só aumentar o crime organizado. Essas pessoas se vêem praticamente obrigadas a entrar para o crime.  E já se viam quase obrigadas a isso quando estavam soltas, na favela – tomando esculacho de policial e dos próprios traficantes o tempo todo, ganhando mal e tomando esculacho de patrão, ou desempregados – por mais que não tenham muita inclinação para a maldade e para o crime, incentivos não faltam para entrar para as facções, até para defender suas famílias. Portanto, presos perigosos devem ficar em prisões diferentes dos menos perigosos (isso custa dinheiro, claro). E, claro, precisamos combater os problemas sociais. UPPs eram para ter sido acompanhadas por escolas, serviços sociais diversos, etc. nas favelas.
Enfim, separar o joio do trigo também é fundamental na política – não adianta considerar todos como corruptos, ou considerar aqueles da SUA ideologia como honestos e da contrária como todos corruptos. Chega dessa ignorância e cegueira. Precisamos de um pacto. Precisamos aceitar algumas pautas da direita – melhores salários para a polícia, acabar com o prende e solta. Mas precisamos aceitar as pautas da esquerda – descriminalização das drogas, combater a corrupção policial. E acima de tudo, algumas pautas são indiscutíveis independentemente da ideologia: investir na inteligência policial, por exemplo. O próprio interventor do Rio, Braga Netto, declarou que essa é uma das coisas fundamentais para acabar com o crime. Mesmo que concordemos com truculência, essa truculência teria que ser dirigida para as pessoas certas, precisaria ser contra bandidos. Chega de bala perdida, ou bala endereçada por miliciano corrupto, sendo defendida como um mero “excesso” da polícia.

Uma vez, ao perguntar para uma pessoa sua religião, ela me disse que era budista e espírita ao mesmo tempo. Não entendi muito. Como se pode ter duas religiões? Na época eu era muito mais agnóstico, até tendendo para ateu, e me contentava em fugir de questões religiosas como vida e morte para pensar no que acontece na Terra, aqui, agora, porque essas questões me pareciam (e ainda me parecem um pouco) difíceis de responder. Por isso, sabia muito pouco dessas religiões, apesar de simpatizar com as duas (com o Budismo muito mais).

Muito tempo se passou, a meditação e outras práticas e ideias budistas/”orientais” se provaram muito úteis para nossas vidas (inclusive com corroboração de estudos científicos), e depois de um tempo, comecei a me envolver, finalmente, com espiritismo também.

Hoje, entendo mais do que nunca o que essa pessoa disse. Budismo serve muito como uma terapia, uma filosofia de vida ampla e bastante pragmática. Mas a parte que eu chamo de metafísica, de “quem somos nós?” , ou “o que acontece quando morremos?” pouco conheço, e parece tão fantasiosa quanto todas outras religiões. Quem esclareceu, de vez, essa questão que ainda não estava tão clara em minha mente, foi o professor Robert Wright, que dá um curso online sobre a relação entre Budismo e Psicologia Moderna (e mostra como o primeiro está sendo cada vez mais comprovado e utilizado pela última). Logo no início desse curso, ele já deixa claro que não falará do budismo como religião (ou melhor, como entendemos religião – questões de vida e morte, céu e inferno, Deus, etc.), mas dessa parte mais “mundana”, de vida prática (vida real para os ateus).

Ainda sou meio agnóstico, mas nessas questões metafísicas, o espiritismo tem feito cada vez mais sentido. Porque vai direto nelas, e tenta, digamos assim, EXPERIENCIÁ-LAS diretamente. Você não depende de um pastor ou sacerdote qualquer dizer o que um profeta há milhares de anos disse que é verdade sobre Deus e sobre a vida após a morte. Você entra em contato direto. Isso é MUITO mais próximo do método científico de busca da verdade. Claro, você precisa desenvolver a mediunidade, precisa confiar e ter fé, coisas que para mim ainda são difíceis, mas você não depende mais de um livro que alguém escreveu há muito tempo e outros foram interpretando, e o seu sacerdote diz tal coisa, outro diz outra, etc. Na verdade, o espiritismo fornece explicações mais plausíveis para a própria existência da Bíblia que as próprias religiões que seguem ela estritamente. E as conclusões a que chega, por mais que também pareçam fantasiosas para quem não crê, começam a fazer mais sentido também. Não é preciso interpretar as coisas a partir de um acontecimento específico com um casal que foi seduzido por uma cobra, ou um senhor que andou sobre a água. Não é preciso negar coisas que a ciência tem cada vez mais comprovado. Aliás, sempre achei que o bom cientista, o verdadeiro cético, não será ateu, ele será AGNÓSTICO de partida. Porque tão difícil quanto provar que Deus ou vida após a morte existem, é provar o contrário. Para mim, tem sido até mais difícil atualmente, agora que caminho do agnosticismo para, digamos, a fé espírita (e budista).

Mas, para além de pensar sobre questões como “Para onde vamos depois que morremos (e se vamos para algum lugar)?”, o ESPIRITISMO me ajuda em duas questões muito mundanas que o próprio budismo, que é extremamente pragmático e útil para quase tudo, não resolve totalmente: as questões materiais, e os sentimentos negativos como raiva e stress.

O budismo nos ajuda muito com questões materiais, primeiro por mostrar que elas não são tão importantes, em segundo por ajudar a ter pensamentos mais conscientes, menos desapegados. Mas o espiritismo, que também reforça esse desapego, essa importância menor para os bens materiais, ajuda por outro lado a ver que a justiça e as disputas do mundo espiritual também existem no plano material. Na verdade, a Umbanda, mais especificamente, ajuda mais nisso. De fato, estamos encarnados e vivemos num mundo onde o material é importante. Precisamos, antes de mais nada, comer para sobreviver. E precisamos sobreviver para prosseguir em nossas missões espirituais. E mais do que isso, precisamos ter uma alimentação boa, para viver bem, com saúde, e cumprir essas missões. Budismo não é contra essas ideias, você encontrará raízes delas ali também, mas parece deixá-las um pouco soltas.

Mas é para lidar com o stress que a Umbanda, mais especificamente, tem ajudado mais. Aí me lembro daquela história, de quando uma pessoa teria perguntado a um monge qual o mantra que ele entoava quando estava com muita raiva, e ele respondeu algo como “Você acha que eu vou lembrar de mantra quando estou com raiva?” A meditação, a respiração profunda, a consciência de si, são hábitos que devemos desenvolver o tempo todo, para lidar melhor com a raiva. Mas se não estivermos desenvolvendo, ou se mesmo que estejamos aconteça um momento de explosão, e você esquece de respirar profundamente, de ficar calmo, fica possuído pela raiva (e, quem sabe, por entidades espirituais não tão positivas), aí precisamos de outras ajudas. E a Umbanda acrescenta essas ajudas, seja por meio de explicações espirituais para momentos de raiva (alguém pode estar te influenciando nesses momentos), mas também por formas de agir na hora e práticas que nos limpam e acalmam. Óbvio que outras coisas mais “mundanas” também vão ajudar: um bom esporte, um hobby que gaste energia (como cantar rock “gritado”, tocar bateria, bater e chutar um saco de pancadas, ou mesmo jogar sinuca), enfim, coisas que nos permitam gastar energia em geral e soltar aquela raiva, aquele stress (que, bioquimicamente falando, nada mais é do que energia acumulada). Além de hábitos alimentares, de sono, etc. E óbvio, a própria meditação, que é algo ao mesmo tempo “mundano” e o ápice da espiritualidade, ao meu ver. Mas essas novas religiões trazem elementos interessantes, bem úteis para isso tudo. E não apenas para raiva e stress, mas para outros sentimentos, como o de perda. A meditação e o desapego budista vão ajudar (e fazem muito sentido na tradição espírita/Umbandista). Mas quando estamos num momento muito difícil, é bom ter algo a mais para ajudar, até porque mal conseguimos meditar, aquilo fica remoendo em nossa cabeça. Nesse ponto, são essas religiões que fazem o papel de uma boa terapia, de psicólogos (inclusive se assemelhando a uma verdadeira uma consulta com psicólogo, quando se faz consultas com entidades, por exemplo).

 

O que é melhor, seguir nossa razão ou nossas emoções? Nossa mente ou nossos instintos? O que nos torna mais felizes?

Creio que o segredo está, antes de tudo, em não ficar opondo razão e emoção. Em perceber que ambas podem nos ajudar muito, de formas diferentes, e que são coisas entrelaçadas, que se influenciam muito. Nossa finalidade é emocional (felicidade), mas a razão é extremamente importante como MEIO para atingir essa finalidade. Portanto, não devemos REPRIMIR emoções, mas guiá-las racionalmente, deixar de se apegar a uma emoção do momento que pode nos levar a fazer coisas muito ruins, que causarão sofrimento desnecessário a nós e a outras pessoas. A mente CONDUZ as emoções, mas ela não por isso ela é o chefe.

Como conduz? Os budistas têm a melhor resposta para tudo isso. Nossos instintos básicos não nos levam necessariamente à felicidade. Mas reprimi-los obviamente também não nos tornará mais felizes. O professor Robert Wright enxergou no budismo uma forma de superar a “programação” que a seleção natural faz em nós, com instintos que trazem muitas vezes sofrimento e, de certa forma, ilusões. Com meditação, com DESAPEGO dos nossos instintos e emoções, começamos a nos LIBERTAR deles. Continuamos sentindo raiva, tendo desejos, etc. mas não nos guiaremos por eles, e eles começam a ser menos influentes. O sofrimento que trazem no futuro (as consequências de ações impulsivas) e no presente (o sentimento ruim em si – tristeza, raiva, medo, etc.) diminui.

Mas se formos apenas reprimir qualquer coisa de ruim que sentimos, ou mesmo as coisas boas (como a felcidiade que traz atitudes exageradamente otimistas, por exemplo), não seremos felizes. Uma hora, os sentimentos reprimidos como a raiva explodem de maneira muito pior. Os sentimentos de tristeza ficam entranhados em nós, causando doenças, e mais sofrimento. Tentar não pensar neles, fingir que não existem, é jogar debaixo do tapete. E além de continuarem causando sofrimento, mesmo que disfarçado, eles continuarão influenciando sua mente (talvez pelo subconsciente).  Como escreve Osho, devemos deixar nossas emoções E PENSAMENTOS fluirem, apenas não nos apegarmos a eles, não ligar, deixar passarem porque VOCÊ não é aquilo.

Osho tem uma visão um pouco exagerada, creio. Como se a razão e a mente fossem inerentemente ruins. Talvez não seja bem essa a visão dele, mas esteja apenas querendo equilibrar as coisas num mundo onde a mente atua cada vez mais, e de forma mais automática, descontrolada. Mas nossas emoções também atuam de forma descontrolada. Ele diz para deixarmos os pensamentos passarem, não nos importarmos com eles – um verdadeiro exercício de meditação, de MINDFULNESS. Mas o mesmo deve ser feito com as emoções, como ele mesmo diz de vez em quando.

Existe uma tradição de separação entre razão e emoção que já foi objeto de discordância entre Spinoza e Descartes, grandes filósofos de alguns séculos atrás. A moral da história é que, como qualquer divisão de conceitos, essa separação pode ajudar em termos de organização do pensamento, das reflexões sobre isso tudo. Mas não podemos ir tão longe nisso. As duas coisas estão entrelaçadas, e devemos nos desapegar de ambas, para termos melhores pensamentos, que serão um MEIO para melhores EMOÇÕES, ou seja, uma vida melhor.

 

Defendo uma visão política que supere os vícios da Esquerda e da Direita em todas as áreas (e que também supere a própria divisão simplista e por vezes maniqueísta entre Esquerda e Direita, como se isso resumisse tudo, ou pior, como se um fosse o Bem e outro o Mal).

Ainda assim, em algumas áreas eu tendo mais para um lado (geralmente, a Esquerda). É o caso da segurança pública. A esquerda tem um problema com a segurança pública que é de OMISSÃO. Como se violência fosse um problema de ricos apenas, ou como se fosse resolvido APENAS com a redução da desigualdade e pobreza e com Educação. Mas a Direita (conservadora) é ainda pior, porque propõe “soluções” inefetivas ou até prejudiciais para problemas de violência no Brasil.

O erro inicial dos conservadores está em acreditar que podemos facilmente dividir a sociedade em 2: os bandidos e os cidadãos de bem. E daí, sugerem que os bandidos devem ser punidos sem piedade alguma, inclusive com a morte, ou apodrecendo em cadeias superlotadas, em condições infernais. Endurecer leis penais, bandido bom é bandido morto. Essas 2 seriam as grandes bandeiras de Bolsonaro para resolver os problemas da violência, correto? Além de armar o “cidadão de bem” para combater os criminosos por conta própria.

O problema dessa visão começa na dificuldade de identificar cidadãos de bem e bandidos. Uma pessoa que corre com seu veículo seria um cidadão de bem, mesmo arriscando a vida de outras pessoas o tempo todo? Ela deve ficar no lado dos “cidadãos de bem”? E o aviãozinho que vende maconha por uns trocados – deve ficar no lado dos “bandidos”? E o “ladrão de galinha”? Afinal, temos cerca de 60 mil assassinatos e 47 mil mortes no trânsito por ano no Brasil. Ainda que os assassinatos sejam maiores, o número não está tão longe.

Roubar ou vender substâncias ilegais (por mais que esteja cada vez mais claro que essas substâncias deveriam ser legalizadas) não é uma atitude louvável. Mas existe um GRAU de gravidade em cada crime. Não devemos achar que punido todos violentamente vamos atingir bons resultados.

Juntar presos perigosos, como os líderes de facções, com ladrões de galinha e aviões do crime, ou pior, com pessoas inocentes que sequer foram julgadas, não é bom para ninguém. Sair prendendo qualquer pessoa também não – ainda mais se consideramos os níveis altos de corrupção policial no Brasil – alguns presos podem estar lá apenas por represália de policiais corruptos, por terem testemunhado seus crimes, etc. Por outro lado, o policial brasileiro se frustra, se revolta, porque faz um trabalho pesado, arrisca sua vida para prender o bandido, e o cara é solto no dia seguinte.

Aí a política das soluções fáceis, do Bolsonaro, dos que odeiam os “especialistas” porque esses especialistas não conseguem soluções da noite para o dia, é qual? Endurecer as leis penais. Até faz sentido rever essas leis para acabar com os milhares de casos em que a pessoa é claramente um bandido, sendo capturada o tempo todo e volta para as ruas rapidamente. Mas de que adianta endurecer as leis para quem é preso e condenado, se apenas 5% dos homicídios são elucidados? Precisamos garantir que seja realizada a investigação, seja identificado o assassino (ou criminoso, em geral) e só então as leis penais serão importantes para determinar quem vai preso e quanto tempo fica na cadeia. Claro que é mais fácil, para um candidato populista, querendo enganar pessoas desinformadas e desesperadas, dizer que vai endurecer as leis penais, para mostrar que será firme contra os criminosos, do que propor soluções mais complexas (e efetivas) para um problema tão complexo.

Portanto, muito importante também é melhorar a EFETIVIDADE das instituições de investigação. E melhorar o sistema judicial e prisional. Se somos a terra da impunidade, também somos a terra do excesso de punição. Na verdade, somos a terra da injustiça. Alguns são mais punidos do que deveria, começando pelo favelado honesto que toma esculacho dos bandidos, dos policiais, dos milicianos. Mas pensando também no caso de pessoas que são presas injustamente, ou que acabam não sendo julgados após serem presos. E ficam juntos com os chefes das facções, sendo forçados a entrar nelas – já eram induzidos a entrar quando moravam na favela, porque a facção dá segurança, respeito e fonte de renda a eles, e ainda dá alguns serviços à comunidade que o próprio Estado.

O sistema não está bom para ninguém, a não ser quem lucra com o caos – as milícias, os corruptos, os chefes do crime. Precisamos ocupar favelas com polícia, mas com transparência na polícia. Precisamos restaurar a confiança da população na polícia. Investir em INTELIGÊNCIA policial, não tanto em truculência. E precisamos descriminalizar as drogas, ao menos a maconha, para termos menos GASTOS do governo com uma guerra cada vez mais inútil e que só traz mais efeito colateral do que cura para o problema do consumo de drogas, e principalmente, para CORTAR A MAIOR FONTE DE RECURSOS DO TRÁFICO. E discutir o tráfico e comércio de armas de fogo: de onde elas vêm? E armar a população, não ia aumentar o número de armas em circulação que, no fim das contas, acabam indo parar com os criminosos? O que é mais provável, que as pessoas consigam usar essas armas para se proteger de criminosos, ou que acabem usando em crimes passionais, passando de “cidadão de bem” a bandidos de uma hora para outra? Ou ainda, ao serem assaltados, tentam reagir, são assassinados e a arma ainda é roubada e entra em circulação para o mundo do crime?

Sobre a intervenção federal, é uma questão mais complexa. Como explicado na CBN, não é a mesma coisa que intervenção militar. Sobre o comando da intervenção federal ter sido atribuída a um oficial do Exército, é uma outra questão. Nessa rádio também escutei um especialista explicando isso e mostrando em que a intervenção poderia ser útil – reorganizar a polícia carioca, trocar os comandos das polícias, de cargos indicados politicamente para outros com mais qualidade técnica e menos comprometimento político (e possivelmente envolvidos com crimes que vão da milícia até as campanhas eleitorais fraudulentas). Talvez alguém de fora das polícias e com apoio direto da Presidência da República possa ter mais condições para fazer isso. Por outro lado, não tem tanto conhecimento da realidade policial, e não se sabe se vai querer mexer nesse vespeiro (e em muitos outros que constituem os problemas da segurança pública carioca).

 

 

 

 

 

Picadas de pernilongos, borrachudos, e outros semelhantes atormentam as pessoas, especialmente no verão, nas férias, quando queremos relaxar. E quem é alérgico, como eu, sofre ainda mais. Sem falar nos riscos de doenças com o Aedes Aegypti e outros mosquitos.

Por isso, compilei algumas dicas sobre o assunto que encontrei na Internet, e em consultas com Dermatologistas.

Antes de detalhar opções de repelentes para o corpo, para o ambiente, dicas de tratamento e até uma receita de repelente natural, segue uma sugestão de um KIT BÁSICO contra os insetos. Apenas como ideia, como lembrete para sua mala de viagens, ou para ter em casa mesmo.

KIT BÁSICO ANTI-INSETOS:

  • raquete elétrica (mas às vezes é mais fácil pegar eles na mão, especialmente se estiver molhada);
  • repelente elétrico (não sei o grau de eficácia nem qual deles é melhor, mas acho que ajuda um pouco);
  • velas, repelentes de ambiente e outras coisas acima descritas para espantar mosquitos;
  • inseticida (para aplicar em alguns momentos do dia e dar uma “dedetizada”);
  • repelente de corpo
  • pomada para picadas
  • anti-alérgico (se for em locais com muita incidência, como Litoral Norte e/ou tiver histórico de alergias a picadas)

Agora, antes de entrar em mais detalhes, cabe dizer que não sou nem de longe um especialista no assunto, então, não tenho muita garantia científica do que estou falando, a não ser a garantia do que funcionou comigo até agora, e do que vi, em alguns sites que dizem ter evidência científica.

Para resolver o problema das picadas de inseto, temos duas maneiras: evitar tomar a picada, e tratar as picadas depois que aconteceram.

Eu nunca consegui evitar muito as picadas com repelentes nem nada do tipo, mas nunca usei os repelentes mais fortes, que estou sugerindo aqui, com exceção do Exposis, que tenho usado recentemente (e não sei se funciona melhor ou se são as outras coisas que eu faço que tem impedido tomar mais picadas).

REPELENTES

PARA O CORPO:

– ICARIDINA e DEET – alguns colegas sociólogos, que fazem bastante pesquisa de campo em locais com matas fechadas, me disseram que o melhor é usar repelentes com DEET (o máximo possível). Mas parece haver hoje em dia uma tendência para trocar pela ICARIDINA, por ser tão eficaz quanto e não ter alguns efeitos nocivos que o DEET tem (como sugerido aqui). Para a OMS, os dois são bons, além de outras substâncias. Mas o Complexo B não funciona muito (veja).

-vaselina – em alguns lugares (como algumas cachoeiras de Ilhabela, se utiliza óleo de cozinha também – tinha tanto borrachudo nessas cachoeiras que não posso dizer o grau de eficácia do óleo de cozinha, precisaria testar em outros ambientes)

-Utilizar roupas claras

-Não usar perfume –  aqui surgem dúvidas. Certa vez, eu vi em algum site que o perfume repele os mosquitos, mas vi depois em outro site que pesquisas demonstram que é o contrário, ele atrai. Eu não sei bem, parece que realmente mosquitos são atraídos por odor do suor ou coisa do tipo, mas não sei se o perfume ajuda ou atrapalha nisso.

PARA O AMBIENTE (funciona mais em lugares fechados, claro):

-Velas de andiroba (parece ter uma eficácia considerável, segundo alguns estudos);

-capim-limão, erva-cidreira, tomilho, menta, lavanda, e claro, citronella;

-piretróides (eficácia aumenta quando em ambientes menores, segundo estudos científicos) – ISSO NÃO É REPELENTE, É INSETICIDA MESMO – se não me engano, todos insecitidas que costumamos ver são feitos com essas substâncias (piretróides)…

-permetrina: spray e aerossol (para passar nas roupas) – não sei bem do que se trata, nunca testei, mas pretendo testar no futuro. Se não me engano, também demonstrou eficácia em estudos científicos.

 

PARA A CASA (algumas soluções mais de “longo prazo”):

– Colocar vasos de arruda, citronela;
– Acabar com água parada limpa e suja (lixos, por exemplo) – pernilongos comuns são atraídos por água suja, o mosquito da dengue é atraído por água limpa.

Uma outra dica para evitar picadas, que eu faço muito, e que é aconselhada para bebês (porque eles não podem usar repelente): tampe seu corpo o máximo possível.  O mais importante é tampar os pés: sempre que coloco tênis, melhora bastante.  Os motivos para isso não sei, e pode variar dependendo do tipo de mosquito – o nosso grande inimigo Aedes Aegypti  voa baixo e por isso se recomenda que as pessoas passem mais repelente na área dos joelhos até os pés. Talvez também seja o lugar mais fácil para os mosquitos picarem sem você ver, ou por algum outro motivo eles preferem os pés. E parece também que as picadas nos pés são as que mais incomodam.

O problema é que no verão você não vai de meia e camisa de manga comprida para a praia, certo? Mas como os mosquitos atacam mais no anoitecer, e como (eu acho), tomar um banho ajuda a aliviar as coceiras de picadas que já existiram e evita novas picadas (experiência própria, mas acho que tem alguma explicação científica, porque se não me engano os mosquitos são atraídos pelo odor do nosso suor, e coisas do tipo, e estar limpo os afasta), aí você coloca pelo menos uma meia e tênis, isso tem me ajudado bastante. Por mais que fique com um pouco mais de calor, pode valer a pena.

Também é bom evitar muita exposição nas horas críticas : o amanhecer e anoitecer são as piores horas. Ficar num ambiente mais fechado, talvez colocar um inseticida antes, pegar sua raquete elétrica, colocar os tênis, acender as velas, enfim, todas dicas aqui …. Talvez isso também varie de acordo com o tipo de mosquitos, mas o Aedes costuma atacar entre 7h30 e 10h e entre 15h30 e 19h, porque não gosta do calor (VEJA DICAS SOBRE O AEDES) . E isso parece verdadeiro para outros mosquitos comuns em SP, ou mesmo para o borrachudo. Talvez a questão seja a temperatura mesmo, porque se você estiver numa região de mata, mais fresca, eles atacam o tempo todo.

TRATAMENTO

É impossível evitar totalmente as picadas quando estamos num lugar que tem muitos insetos. Então, é bom sempre ter alguns tratamentos pós-picadas.

Em algum site consta que as substâncias que aliviam o incômodo das picadas são: anti-histamínico (H1), anestésico local ou derivado de hidrocortisona.

-pomada Verutex B – eu tenho utilizado bastante, e me ajuda muito, depois de alguns minutos a alergia passa (acho que ela se enquadra nas substâncias citadas acima, mas acho interessante colocar aqui, porque ela foi a única que testei, foi recomendada pelos dois Dermatologistas a quem pedi algo do tipo, e funcionou relativamente bem). Mas hoje em dia só vende com receita!

-cebola – cortar ao meio e passar (ainda não testei, mas já ouvi falar sobre, não custa tentar, quando não tivermos outros tipos de substância para tratar)

-compressas geladas (idem – não testei, mas não custa tentar)….

Em caso de crise alérgica, tem o remédio Polaramine. Quem é alérgico, como eu, deve levar um desses para lugares como Ilhabela e Ubatuba, carregados de borrachudos. Mas aconselho que veja um especialista antes, porque não se deve sair tomando remédios, especialmente se você não for alérgico (e se for alérgico, é bom saber o que está fazendo – uma vez eu tomei Polaramine, já estava com a cara toda “empipocada”, e a garganta fechando, e melhorei um pouco depois, mas isso não significa que funciona com todo mundo e sempre – e repito, isso é para casos de alergia severa, eu acho, não para qualquer coceira, provavelmente não deve ajudar em nada nesses casos).

Repito mais uma vez que não sou nenhum especialista na área, nem sou da área de Biológicas para me meter muito a falar desse assunto. Mas como sofro muito com isso, especialmente em lugares que são maravilhosos, como o Litoral Norte de São Paulo, eu pesquiso sobre o assunto e fiz essa compilação (inclusive para eu mesmo consultar se precisar no futuro).

Apesar de um Dermatologista ter me dito que não existe tratamento para a alergia, eu já ouvi falar de tratamentos em algum hospital da região de Pinheiros, em São Paulo (Emilio Ribas ou Hospital das Clínicas). E tratamentos com Alergologistas também. Vale  a pena consultar um.

REPELENTE NATURAL

Segue abaixo também uma receita para preparar um repelente de um amigo agrônomo. Não sei se funciona, ainda não testei também.

INGREDIENTES:

1/2 litro de álcool
1 pacote de cravo da Índia (100g)
1 vidro e óleo para nenéns (100ml)

MODO DE FAZER:
Deixe o cravo curtindo no álcool uns 4 dias agitando , de manhã e a tarde. Depois coloque o óleo corporal (pode ser de amêndoas, camomila, erva doce, lavanda, aloe vera).

MODO DE USAR:
Passe uma gota no braço e nas pernas e o mosquito foge do cômodo.
O cravo espanta formigas da cozinha e dos eletrônicos, e espanta as pulgas dos animais.
O repelente evita que o mosquito sugue o sangue, assim, ele não consegue maturar ovos e atrapalha a postura. Vai diminuindo a proliferação.

* A comunidade toda tem que usar, como num mutirão.

Boa sorte!

As ideologias mais à Direita defendem que devemos seguir instintos anti-sociais, por vezes perversos, como a aversão a um morador de rua – ou até a uma pessoa de outra etnia, que lhe pode parecer menos higiênica ou até mais repugnante de alguma forma. Às vezes parece que a maioria das pessoas, em alguns momentos, pode ter sentimentos horríveis, e por vezes contraditórios, quando vê a miséria, a pobreza, o mendigo, ou mesmo quando vê, por exemplo, dois homens se beijando.

Sentir isso pode ter algo de positivo: se você sentir essa aversão, e PERCEBER A SI MESMO sentindo ela (COMO DIRIA UM BOM BUDISTA), isso pode ajudá-lo a entender as ideologias e visões de mundo mais maléficas e macabras, como o Nazi-Fascismo. Mas esse sentimento não deixa de ser horrível. E, muito importante, algumas pessoas ao sentirem algo assim, acham que então essas ideologias de Extrema Direita têm algum sentido, e começam a se aproximar delas e a esquecer de qualquer ideia de compaixão com o próximo, sobretudo se esse próximo for mais sujo, mais feio, mais repugnante por qualquer razão. Começam a ver uma possibilidade de LIBERDADE, de deixar seus instintos rolarem sem repressão, nessas ideologias e nos políticos que defendem o “politicamente incorreto” (ainda que sejam muitas vezes mais tímidos, menos explícitos em defender ideias racistas, higienistas, ou qualquer tipo de discriminação).

Temo que a maioria das pessoas tenha um pouco desse sentimento higienista, esse sentimento indigesto, essa raiva da situação em que se encontram os fracos, feios, miseráveis, doentes, etc. que acaba virando uma raiva dos indivíduos portadores desses problemas. Não digo isso para defender esse sentimento, como se fosse inevitável. Digo para que ele seja esclarecido, para pararmos de fingir que ele não existe ou que é apenas uma coisa ideológica e cultural de uma extrema direita sombria e psicótica. Por outro lado, devemos perceber que esse tipo de sentimento, levado ao extremo, desemboca justamente nessa extrema direita psicótica. Ou seja, é preciso andar em corda bamba: por um lado, devemos perceber que esses sentimentos existem, ao invés de botá-los debaixo do tapete. Por outro, devemos perceber que nem todos têm esses sentimentos, pelo menos não de forma tão intensa ou até violenta quanto os fascistas. E os que têm precisam mudar : alguma forma de terapia, de combate ideológico ou, na pior das hipótess, combate físico (como foi necessário na Segunda Guerra Mundial).

Radicalizações para o lado oposto nem sempre ajudam. Não precisamos abraçar moradores de rua nem gostar do mau cheiro que eles muitas vezes trazem, infelizmente, para querer uma vida mais humana para eles e outras pessoas em situações vulneráveis.  Recusar qualquer diálogo com as pessoas que demonstram  uma mera aversão a coisas como esse mau cheiro também não ajuda.

Mesmo recusar um diálogo com aqueles mais intolerantes, que são de fato preconceituosos, só deve acontecer em último caso. Infelizmente, a História nos mostra que às vezes isso é realmente necessário. Alguém acredita que os nazistas poderiam parar de outra forma que não fosse perdendo uma guerra? Como você vai negociar com alguém como Hitler? Oferecendo a Polônia em troca de 5 mil judeus? Ou o contrário, oferecendo 5 mil judeus em troca da Polônia? Não dá, não tem como. É triste ter que concluir isso, mas foi um caso em que a guerra era a única forma de conseguir a paz no mundo. Não vou entrar na questão de que os Aliados e os Soviéticos podem ter sido em alguns momentos tão cruéis e sanguinários como os Nazistas. As bombas atômicas lançadas pelos EUA e as crueldades de Stalin e outros ditadores comunistas falam por si só. Mas o fato é que com essas pessoas ainda havia alguma maneira de dialogar e negociar. Com Hitler, fica mais difícil. Era uma espécie de serial-killer de larga escala. O objetivo era dominar o mundo e destruir algumas raças, não era um meio. Para aquilo tudo acabar mesmo, só se você prender ou matar o sujeito.

Pois bem, essa é uma medida extremista, necessária só em último caso, quando a coisa descamba como foi com Hitler e seus aliados. Mas justamente para evitar que essas ideologias se fortaleçam, se proliferem, ganhem o poder e façam estragos inimagináveis na Humanidade, é preciso combatê-las CULTURALMENTE. Precisamos entender: por que alguém fica assim? Por que alguém se transforma em um neonazista? Por que alguém chega à conclusão que certos grupos devem ser exterminados, e dedica sua vida a essa causa? Não estou dizendo que devemos conversar normalmente com eles, como se estivessem APENAS defendendo uma ideia diferente, que mereça alguma reflexão ou respeito. Mas é preciso um combate cultural a essas ideias, uma luta por “corações e mentes” como diria Obama.

Eu fiz isso um pouco. Dialoguei, de forma agressiva e provocativa muitas vezes, mas ficando no diálogo, com neo-nazistas, através da Internet, onde a violência física é impossível. Eles foram obrigados a me ouvir. Não acho que eu tenha conseguido transformar um nazista em uma pessoa consciente da noite para o dia, mas acho que consegui mais do que muitos tentam, e muito mais do que campanhas educativas patéticas em escolas, tipo “Não seja rascista”, conseguem. Alguém acha que um nenazista vai ver um cartaz infantil desses e vai ter um toque na consciência? As campanhas contra a homofobia, por exemplo, parecem ter gerado mais raiva de todo o movimento em defesa dos gays. Por que? Porque elas infantilizam as pessoas.

Às vezes a provocação é necessária, para a pessoa ouvir. Tipo “o grande líder que você venera teve que se matar porque ele era esquizofrênico e o plano dele não deu certo”. Claro que isso só é possível na Internet, no cara-a-cara o sujeito vai partir para cima de você (se já não tiver partido antes). E não se pode ficar só na provocação, senão você pode até piorar a coisa (provocar psicopatas não vai amenizar o instinto assassino deles). É necessário, junto com isso, falar coisas mais inteligentes, mostrar contradições, e até mostrar que você não é tão diferente deles: “eu também não gosto de ver dois homens se beijando, mas você não acha que odiar os gays por isso é um egoísmo absurdo?”

Falando de pessoas mais comuns, e com quem é possível ter algum tipo de diálogo e até algumas risadas, eu conheci nos EUA um sujeito muito divertido, porém bastante racista e preconceituoso. Não gostava de negros, de japoneses, e nem de árabes. Pode parecer surpreendente que mesmo tendo contado para ele que eu sou 50% árabe nós dávamos algumas risadas juntos: por que uma pessoa assim seria amiga de um árabe? E por que um árabe que odeia o racismo e o preconceito seria amigo de uma pessoa assim?

Muitos, principalmente na Esquerda, vão achar um absurdo, vão me condenar por ter ficado amigo de uma pessoa assim. Eu mesmo talvez acharia…. Mas se eu tivesse brigado com ele por ele ser assim, ele iria apenas confirmar na cabeça deles que nós “árabes, brasileiros, estrangeiros, etc.” somos pessoas ruins. E eu não iria entender seus reais motivos para ter um pensamento tão ignorante. Enquanto estava ali, falando com ele, estava fazendo uma espécie de coleta de dados, de pesquisa sociológica – adquirindo conhecimento sobre o porquê os americanos se tornam racistas hoje em dia. E tentando mudar sua cabeça. Por mais inútil que pareça ser isso, afinal ele era bem do tipo “fuck everything and everyone”, chegou a me dizer que “entendia o que eu queria dizer” mas era difícil para ele ter confiança nessas pessoas, etc.

Não estou falando que devemos mandar flores para a Klu-Klux-Klan ou sentar com eles tranquilamente para tomar uma cerveja. Estou falando que se você é diferente deles, deve agir por outros meios. Deve tirar sarro deles. Deve dialogar, perguntar por que pensam assim, mostrar as contradições nos pensamentos deles, os erros. Deve ser duro, intolerante com a intolerância, mas na medida certa. Se eu estou andando na rua, tenho uma arma, e vejo 5 neonazistas espancando um gay ou negro, eu não vou pensar duas vezes se puder matar os 5 skinheads e ajudar o sujeito que está sendo espancado. Salvarei um inocente, e tirarei de circulação 5 pessoas que ameaçam gravemente o bem-estar social.

Mas como eu já disse, não podemos apostar nessa solução, isso é para momentos de emergência. Até porque os neonazistas são poucos, grande parte das pessoas estão numa zona cinzenta :a intolerância e preconceito estão camuflados em suas mentes e emoções, junto com outros pensamentos e emoções menos perigosos. Essas pessoas se contradizem muitas vezes, porque algum ponto de sua consciência imaginam que é errado pensar assim, mas têm aquele sentimento de raiva, de desprezo, contra aqueles grupos. E muitas vezes nem se acham preconceituosas – não sabem perceber sua própria intolerância.

E se a maioria de fato fosse de neonazistas? Vamos supor que 80% das pessoas fossem racistas. Você mataria todas elas? Não, você não mataria, nem se quisesse. Então, se você realmente quer mudar o mundo, comece dialogando com elas, entendendo elas, e comece com você mesmo, fazendo um “pente-fino” na sua consciência e nos seus sentimentos para se certificar de que não existe nem uma sombra de preconceito e de sentimentos de raiva contra algum grupo. Até porque, o preconceito é algo automático, é natural de nossa mente. Só vai embora se nós aprendemos a percebê-lo e a lidar com ele. Não é negando o preconceito, não é apenas tendo raiva de qualquer coisa que lhe pareça preconceituosa, que ele vai sumir.

Também não adianta ser radical e achar que todo mundo é preconceituoso por qualquer piada, qualquer brincadeira, etc., qualquer defesa de ideias que podem ser negativas para um grupo (por exemplo, ser contrário à política de cotas raciais). É fundamental identificar quem é realmente intolerante, racista, preconceituoso. Claro que esses tentarão disfarçar sua postura estrategicamente,  portanto não sejamos ingênuos também!